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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

mudando de ares...

gora os poemas serão postados no desembocadouro, juntamente com meus desenhos e - vamos ver... - fotos.

os poemas daqui, eu os inclui lá. de qualquer forma,
aqui estão os poemas de que as pessoas mais gostaram, e isto inclui meus leitores de blog e meu vô, que leu quase tudo escrito a naquim, especialmente pra ele:

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

andorinha

salta
minhas pernas, lépido,

- num fragmento
de tempo sou estátua -

um poema que se anuncia de tênis, mochila,
respiração,

duas canelas finas metidas em meias de algodão. não vi
sua cara,

nem ele a minha. seus pulmões pulsando num pulo
rápido, como uma

andorinha, a segunda que me aparece
por estas bandas saltando

o cimento, o bronze
dos dias.

domingo, 11 de outubro de 2009


queria descrever a graça com que
descobre ladrilhos,

um a um, mas não se prende à pedra,
inaugura

uma alvorada em meu rosto, sua imagem
seus olhos - istmos - sem qualquer

porto em que desembarquem
- o que toma seu olhar

sem pouso?
o menino passaria além do que se tem

à vista, se
não se apagassem, nalgum dia,

a cor, a forma, a pedra
dos ladrilhos que mira. banhados

pela luz escassa,
seguem em bando

os silêncios da tarde,
os meus silêncios atrás de seus passos

sol através do dia, ele carrega
às costas todo o mistério como um enorme lençol


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Padre Paraíso - um poema para a varanda de Mariana

para Mariana Botelho

as mãos sustentam pães
adormecidos
neles, toda a promessa
da manhã

os dedos pequenos respiram
o instante por vir

e então partem o primeiro
pedaço - e um bocejo
atiram-no na água, e num repente
borbulham tantos sóis
que tudo enfim
desperta

a vista da varanda de Mariana, tanto nas fotos que ela tirou, quanto nos poemas lindos que escreve, está em Suave Coisa.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

a poesia completa de cecília dorme

a poesia completa de cecília dorme
um sono necessário, pleno
do sem-tempo das manhãs
de domingo: passam
todas e o livro
na estante amadurece
como uma fruta que ainda não
tivesse caido
ido ao chão e esperasse
quase intocada,
roçada de leve pelas asas aleatórias
dos meus dedos nas páginas


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Quem escreve?

Bruno de Abreu
Piracicaba, São Paulo, Brazil
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